Aparelho auditivo para trabalho e reuniões: quais recursos observar?

Escolher um aparelho auditivo para trabalho não significa procurar simplesmente o modelo com mais tecnologia.

O ponto de partida é entender onde a dificuldade aparece durante a rotina profissional. Para algumas pessoas, o maior desafio são reuniões presenciais com várias vozes. Para outras, são chamadas, videoconferências, conversas com clientes, escritórios compartilhados ou a combinação de várias dessas situações ao longo do dia.

Por isso, recursos como processamento de fala, conectividade, conforto, formato e recarga precisam ser avaliados a partir do trabalho que a pessoa realmente realiza.

Primeiro, como é a sua rotina profissional?

Antes de comparar aparelhos, descreva seu dia.

Você participa de reuniões presenciais? Trabalha em escritório aberto? Atende clientes? Faz muitas chamadas? Usa notebook e celular durante boa parte do expediente? Alterna entre ambientes silenciosos e locais movimentados?

Essas respostas ajudam a definir quais características terão mais peso na escolha.

A Resolução CFFa nº 591/2020, do Conselho Federal de Fonoaudiologia, determina que a indicação de aparelho auditivo considere diagnóstico, tipo e grau da perda, mas também as necessidades de comunicação da pessoa. Isso significa que a rotina entra diretamente na decisão.

Em algumas situações, a dificuldade não aparece como ausência de som: a pessoa percebe que alguém falou, mas perde partes da mensagem. Entenda por que é possível escutar e ainda ter dificuldade para entender o que foi dito.

Reuniões presenciais exigem mais do que volume

Uma conversa com uma única pessoa em uma sala tranquila é diferente de uma reunião com várias pessoas, ruído de fundo e interlocutores espalhados ao redor da mesa.

Nessas situações, aumentar o volume de tudo não resolve necessariamente a dificuldade.

O National Institute on Deafness and Other Communication Disorders (NIDCD), dos Estados Unidos, explica que aparelhos auditivos modernos utilizam processamento de sinais e que determinados modelos possuem microfones direcionais, desenvolvidos para favorecer sons vindos de determinadas direções e contribuir para a compreensão de fala em meio a outras vozes e ruídos.

Esses recursos variam conforme aparelho, tecnologia e programação.

Uma conversa individual em uma sala silenciosa exige menos da audição do que uma reunião com ruído e várias pessoas falando. Entenda por que ouvir bem no silêncio é diferente de ouvir bem em grupo.

E quando várias pessoas participam da conversa?

Em reuniões, quem fala muda o tempo todo.

Uma pessoa começa a explicar um projeto, outra interrompe, alguém comenta do outro lado da mesa e a conversa muda de direção rapidamente.

Por isso, ao avaliar um aparelho para esse tipo de rotina, é importante entender como o modelo trabalha situações com diferentes interlocutores e sons ao redor.

Na linha disponível na Audiosampa, por exemplo, o RIC Li com tecnologia AD8 é descrito com recurso de processamento automático da fala de diferentes interlocutores. O Slim RIC também possui versão recarregável com otimizador sonoro automático. Já os recursos presentes nos modelos RIC variam conforme a versão escolhida.

Isso não significa que um desses formatos seja automaticamente o melhor para reuniões. A indicação depende da avaliação e das necessidades identificadas.

Reuniões online e chamadas: quando a conectividade ganha importância

Para quem passa boa parte do dia em chamadas, reuniões virtuais ou vídeos, a conectividade pode ter um peso maior na escolha do aparelho auditivo.

Alguns modelos permitem transmitir áudio de smartphones, tablets ou outros dispositivos compatíveis. Mas simplesmente saber que um aparelho “tem Bluetooth” não responde tudo.

É importante verificar como essa conectividade funciona no modelo avaliado e se ela é compatível com os dispositivos que fazem parte da rotina profissional.

Por isso, antes de decidir, pergunte:

  • funciona com meu celular?
  • conecta ao notebook que utilizo?
  • permite receber o áudio das reuniões?
  • exige algum acessório adicional?
  • quais funções ficam disponíveis quando está conectado?

Essas respostas ajudam a entender se a conectividade realmente terá utilidade no dia a dia de trabalho.

Se chamadas e videoconferências ocupam boa parte do seu dia, veja como o Bluetooth funciona nos aparelhos auditivos e quais pontos precisam ser confirmados antes da escolha.

Conforto e uso ao longo do expediente

Um aparelho utilizado durante boa parte do dia precisa funcionar bem não apenas em relação ao som.

Encaixe, conforto, manuseio, uso com óculos e forma de carregamento influenciam a experiência.

Durante a escolha, observe se é fácil colocar e retirar o aparelho, como ele fica depois de algumas horas e se a rotina de recarga ou troca de bateria se encaixa no seu dia.

Quem sai cedo, passa muitas horas fora ou participa de compromissos após o expediente pode ter necessidades diferentes de quem trabalha poucas horas em um único ambiente.

RIC, RIC Li e Slim RIC: por que esses formatos entram nessa conversa?

RIC significa receptor no canal. Nesse formato, parte do aparelho fica atrás da orelha e o receptor é posicionado no canal auditivo.

Na Audiosampa, existem versões RIC, RIC Li e Slim RIC, com características que variam conforme o modelo.

O RIC Li disponível no portfólio possui tecnologia relacionada ao processamento de diferentes interlocutores. O Slim RIC reúne formato fino, recarga e recursos de processamento sonoro. Já o RIC pode contar com diferentes funções audiológicas conforme a versão.

O formato, porém, não determina sozinho se o aparelho será adequado para uma rotina profissional.

O que importa é a combinação entre audição, recursos, conforto, ambiente e atividades realizadas durante o trabalho.

Mais recursos significam um aparelho melhor para trabalhar?

Não necessariamente.

Uma pessoa que passa o dia em videoconferências pode dar grande importância à conectividade.

Outra participa principalmente de reuniões presenciais e precisa avaliar com mais cuidado como o aparelho se comporta em ambientes com várias vozes.

Uma terceira trabalha em movimento, visita clientes e precisa considerar conforto, manuseio e autonomia ao longo do dia.

A quantidade de funções diz menos do que a relação entre o recurso e a dificuldade que ele precisa atender.

O ambiente profissional também influencia a comunicação

O aparelho auditivo é uma parte da solução. O ambiente e a maneira como a reunião é conduzida continuam importantes.

Em orientação publicada em 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que reuniões profissionais sejam mais acessíveis por meio de medidas como boa qualidade de áudio, iluminação adequada, recursos visuais, legendas quando necessárias e organização para que as pessoas não falem simultaneamente.

Ou seja: tecnologia auditiva e boas condições de comunicação trabalham juntas.

Teste o aparelho nas situações que realmente importam

Se a principal dificuldade está no trabalho, a experiência com o aparelho precisa incluir esse contexto.

Observe como foi a reunião presencial, a chamada com um cliente, a videoconferência ou o período em um escritório compartilhado.

Pergunte:

  • acompanhei melhor quem estava falando?
  • perdi menos partes da conversa?
  • consegui acompanhar mudanças de interlocutor?
  • a conexão com meus dispositivos funcionou?
  • o aparelho permaneceu confortável durante o expediente?

Usar o período de teste com critérios claros ajuda a transformar situações da rotina em informações para a decisão. Veja o que observar ao testar um aparelho auditivo antes de escolher.

O que contar à fono sobre o seu trabalho?

Em vez de dizer apenas “preciso de um aparelho para trabalhar”, leve informações mais específicas:

Ambiente: escritório fechado, aberto, externo ou híbrido.
Conversas: individuais, pequenos grupos ou reuniões maiores.
Tecnologia: celular, notebook e plataformas de videoconferência.
Frequência: algumas reuniões por semana ou várias horas por dia.
Principal dificuldade: fala no ruído, distância, telefone, várias vozes ou outro contexto.

Quanto mais concreta for a descrição da rotina, melhores serão as informações disponíveis para orientar a escolha.

O melhor aparelho para o trabalho não é definido apenas pelo formato ou pela quantidade de recursos. Ele precisa responder às necessidades auditivas e às situações profissionais de cada pessoa.

Sua rotina envolve reuniões, chamadas ou ambientes com várias pessoas? Converse com a equipe da Audiosampa para conhecer quais modelos e recursos podem ser avaliados para o seu caso.

Fontes

Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) — Resolução CFFa nº 591, de 05 de novembro de 2020.
Acessar Resolução CFFa nº 591/2020

National Institute on Deafness and Other Communication Disorders (NIDCD/NIH) — Hearing Aids — Styles/Types & How They Work.
Acessar publicação do NIDCD

World Health Organization (WHO) — Deafness and hearing loss: how to be deaf or hard-of-hearing friendly, 2026.
Acessar orientação da OMS